Comércio e indústria no mundo

O Brasil no comércio e na indústria: uma economia grande com trocas externas de baixa proporção

Acompanhando as estatísticas mundiais sobre Comércio e indústria

Dados de 214 países e territórios

Exports of goods and services17.94%
159º de 192 (2024)
Imports of goods and services17.65%
181º de 192 (2024)
Manufacturing value added12.11%
81º de 203 (2024)
Foreign direct investment, net inflows74,090,786,050US$
5º de 204 (2024)
High-technology exports11.11%
60º de 186 (2024)

Comércio e indústria em cinco indicadores

Esta apresentação percorre cinco indicadores do Banco Mundial sobre comércio exterior e indústria, um por quadro. Cada quadro traz o ranking dos países, o valor e a posição do Brasil e a linha de evolução da série. Todos os números vêm da mesma base de dados do World Development Indicators.

Exports of goods and services159Brasil: 17,9386% do PIB em exportações, 159º entre 192 países
Imports of goods and services181Brasil: 17,6459% do PIB em importações, 181º entre 192 países
Manufacturing value added81Indústria de transformação: 12,1108% do PIB no Brasil, 81º entre 203 países
Foreign direct investment, net inflows5Investimento estrangeiro direto no Brasil: cerca de US$ 74,09 bilhões, 5º entre 204 países
High-technology exports60Exportações de alta tecnologia: 11,1104% dos manufaturados no Brasil, 60º entre 186 países

Leia cada quadro isoladamente: veja primeiro o valor do Brasil e sua posição, depois onde ele se situa entre os extremos do ranking. Não compare posições entre quadros, pois as unidades diferem (% do PIB, % das exportações de manufaturados, US$) e o número de países varia de 186 a 204.

Pontos principais

O Brasil aparece nesta edição como uma economia de mercado interno amplo, em que as trocas com o exterior pesam pouco em relação ao tamanho do próprio PIB. O dado mais marcante é o das importações de bens e serviços: 17,6459% do PIB em 2024, posição 181 entre 192 países — ou seja, dentro do grupo dos doze menores da lista, ao lado de Rússia (17,5916%), Paquistão (17,188%) e China (17,1755%). As exportações seguem a mesma direção, com 17,9386% do PIB e a posição 159 entre 192 países, contra um valor mundial de 29,1076%. Em contrapartida, quando o assunto é atrair capital, o país surge no topo: o investimento estrangeiro direto (entradas líquidas) foi de cerca de US$ 74,09 bilhões em 2024, o 5º maior entre 204 países.

Fonte: World Bank, World Development Indicators (NE.EXP.GNFS.ZS, NE.IMP.GNFS.ZS, BX.KLT.DINV.CD.WD).

O valor mais recente do indicador central

O indicador que abre esta edição é o das exportações de bens e serviços como proporção do PIB. Em 2024 o Brasil registrou 17,9386%, o que o coloca na posição 159 entre 192 países. O valor mundial do mesmo indicador é 29,1076%, cerca de 11,2 pontos percentuais acima do brasileiro. Vale separar duas leituras: o percentual em si não é dos mais baixos da lista — está bem distante dos menores valores, como o do Sudão (0,7209%) —, mas a posição relativa é baixa porque a maior parte dos países comparados tem proporções mais altas. Como se trata de uma razão sobre o PIB, economias com PIB grande tendem a apresentar percentuais menores mesmo quando exportam volumes elevados em valor absoluto.

Fonte: World Bank, World Development Indicators — Exports of goods and services (% of GDP), NE.EXP.GNFS.ZS.

Quem está no topo e quem está na base

No topo das exportações sobre o PIB aparecem Luxemburgo (191,533%), San Marino (185,9928%), Hong Kong (181,7913%), Singapura (178,7763%) e Irlanda (143,9846%), seguidos por Djibuti (126,4153%) e Malta (118,4861%). São, em geral, economias pequenas, centros financeiros ou pontos de reexportação, e vários ultrapassam 100% do PIB. Na outra ponta estão Sudão (0,7209%), Haiti (3,4008%), Etiópia (5,5393%), Quiribati (5,9202%) e Síria (6,8101%), além de Nepal (7,6219%) e Nigéria (9,2415%). O Brasil, com 17,9386% e a 159ª posição, fica na metade inferior da lista, mas em um patamar bastante distinto do dos valores de um dígito da base.

Nas importações o quadro é semelhante em estrutura — Hong Kong (177,7154%), Luxemburgo (159,735%), San Marino (154,9906%) e Singapura (143,5951%) lideram —, com a diferença de que o Brasil aparece explicitamente entre os doze últimos, na posição 181 com 17,6459%, acima apenas de países como EUA (14,2712%), Argentina (12,68%), Venezuela (9,2213%) e Sudão (1,2745%).

Fonte: World Bank, World Development Indicators (NE.EXP.GNFS.ZS, NE.IMP.GNFS.ZS).

Como isso mudou na última década

Entre 2013 e 2024, as exportações brasileiras sobre o PIB passaram de 11,7422% para 17,9386%, uma diferença de cerca de 6,2 pontos percentuais. O ponto mais alto da série foi 2022, com 19,6308%, seguido de 17,9693% em 2023 e 17,9386% em 2024. As importações saíram de 14,0437% em 2013 para 17,6459% em 2024, com mínimo de 11,8008% em 2017, máximo de 19,1853% em 2022 e uma queda para 15,6969% em 2023 antes de voltar a subir.

O valor adicionado da indústria de transformação foi de 10,4796% do PIB em 2013 a 13,2532% em 2023, recuando para 12,1108% em 2024; a série ficou dentro de uma faixa de aproximadamente 10,3% a 13,3% em todo o período. As exportações de alta tecnologia, medidas como proporção das exportações de manufaturados, alcançaram 16,0002% em 2016, caíram até 9,0016% em 2021 e voltaram a 11,1104% em 2024 — abaixo dos 11,9699% de 2013. Já o investimento estrangeiro direto oscilou bastante: US$ 87,71 bilhões em 2014, US$ 38,27 bilhões em 2020 e US$ 74,09 bilhões em 2024, valor próximo ao de 2013 (US$ 75,21 bilhões). Estes números descrevem apenas o que a série mostra; não permitem identificar as causas das variações.

Fonte: World Bank, World Development Indicators (NE.EXP.GNFS.ZS, NE.IMP.GNFS.ZS, NV.IND.MANF.ZS, TX.VAL.TECH.MF.ZS, BX.KLT.DINV.CD.WD).

Comparando com países próximos

Entre as economias de grande porte usadas como referência, o Brasil se aproxima da China nas exportações sobre o PIB: 17,9386% contra 20,0229% (posição 151), com os EUA ainda abaixo, em 11,1075% (posição 177). Bem acima estão Coreia do Sul (44,3582%, posição 68), Alemanha (41,4341%, posição 84), França (33,8898%), Reino Unido (30,9842%) e Japão (22,769%, posição 141). Em termos aproximados, a proporção brasileira equivale a cerca de 40% da sul-coreana e a cerca de 43% da alemã. Nas importações, o Brasil (17,6459%) fica praticamente no mesmo nível da China (17,1755%) e abaixo de Japão (23,638%), Reino Unido (31,856%), França (34,2184%), Alemanha (37,6567%) e Coreia do Sul (40,2843%).

Na indústria de transformação, o Brasil registra 12,1108% do PIB (81º entre 203), acima de EUA (10,7104%), França (9,5665%) e Reino Unido (7,985%), porém abaixo de Alemanha (18,0067%), Japão (20,581%), China (24,8692%) e Coreia do Sul (26,618%). Nas exportações de alta tecnologia, os 11,1104% do Brasil (60º entre 186) ficam abaixo de todos esses parceiros de comparação: Alemanha 17,9773%, Japão 17,5547%, França 23,1371%, EUA 24,323%, China 26,2777%, Reino Unido 29,2333% e Coreia do Sul 36,2583%. No investimento estrangeiro direto, porém, a ordem se inverte: os US$ 74,09 bilhões do Brasil (5º) superam França (US$ 52,05 bi), Alemanha (US$ 47,60 bi), China (US$ 18,56 bi), Japão (US$ 16,16 bi) e Coreia do Sul (US$ 12,86 bi), ficando atrás apenas dos EUA (US$ 297,06 bi) entre esse grupo; o Reino Unido apresentou valor negativo (cerca de -US$ 12,96 bi).

Fonte: World Bank, World Development Indicators (NE.EXP.GNFS.ZS, NE.IMP.GNFS.ZS, NV.IND.MANF.ZS, TX.VAL.TECH.MF.ZS, BX.KLT.DINV.CD.WD).

Como ler estes números

Exportações, importações e valor adicionado da indústria estão expressos como proporção do PIB. Isso significa que o denominador importa: países com PIB elevado tendem a apresentar percentuais menores mesmo quando os valores absolutos são altos, e a proporção não deve ser lida como medida direta de volume comercializado nem de competitividade. Em economias de reexportação, o percentual pode ultrapassar 100% do PIB, como se observa em Luxemburgo, Hong Kong e Singapura — situações estruturalmente distintas da brasileira, que não convém comparar como se fossem equivalentes.

O investimento estrangeiro direto é um fluxo de entradas líquidas em dólares correntes, e não um estoque: valores negativos, como os de Suíça (cerca de -US$ 108,40 bi), Liechtenstein (-US$ 87,21 bi) ou Hungria (-US$ 62,19 bi), indicam saídas superiores às entradas, e não ausência de investimento. Como a série brasileira mostra oscilações amplas de um ano para outro, a variação de um único ano não deve ser tomada como tendência. As exportações de alta tecnologia são medidas como percentual das exportações de manufaturados, o que reflete a composição da pauta exportadora e não o nível tecnológico da economia como um todo.

Também convém notar que o número de países comparados varia por indicador — 192 nas exportações e importações, 203 na indústria de transformação, 204 no investimento estrangeiro direto e 186 nas exportações de alta tecnologia —, de modo que as posições não são diretamente comparáveis entre indicadores. Todos os dados provêm do World Development Indicators do Banco Mundial, com atualização anual e possibilidade de revisões retroativas das séries.

Fonte: World Bank, World Development Indicators (NE.EXP.GNFS.ZS, NE.IMP.GNFS.ZS, NV.IND.MANF.ZS, TX.VAL.TECH.MF.ZS, BX.KLT.DINV.CD.WD).

Exports of goods and services no mapa e em gráficos

Mapa-múndi de Exports of goods and services
Mapa-múndi: Exports of goods and services (2024). Quanto mais escuro, maior o valor. O contorno laranja é Brasil. Fonte world_bank_wdi
PosiçãoPaís / território%
1Luxemburgo191.53
2San Marino185.99
3Hong Kong181.79
4Singapura178.78
5Irlanda143.98
157Eritreia18.15
158Zimbábue18.05
159Brasil17.94
160Turcomenistão17.57
161Serra Leoa17.27
190Etiópia5.54
191Haiti3.4
192Sudão0.72

Ver o ranking completo de 192 países e territórios →

No topo aparecem Luxemburgo (191,533%), San Marino (185,9928%) e Hong Kong (181,7913%); na base, Sudão (0,7209%), Haiti (3,4008%) e Etiópia (5,5393%). O Brasil fica na metade inferior, mas longe dos valores de um dígito.

Exports of goods and services: topo, base e Brasil1Luxemburgo191.532San Marino185.993Hong Kong181.794Singapura178.785Irlanda143.98157Eritreia18.15158Zimbábue18.05159Brasil17.94160Turcomenistão17.57161Serra Leoa17.27190Etiópia5.54191Haiti3.4192Sudão0.72%
Os 5 primeiros, os vizinhos de Brasil e os 3 últimos (2024). O número à esquerda da barra é a posição. Fonte world_bank_wdi
Evolução de Exports of goods and services33.42720.614.17.72013201520172019202120232024BrasilEUAChinaMundo%
Brasil diante das grandes economias e do mundo. Fonte world_bank_wdi

A linha sobe de 11,7422% em 2013 para 19,6308% em 2022 e recua a 17,9386% em 2024. As barras mostram uma distância enorme entre extremos: o primeiro colocado supera o último em mais de 190 pontos percentuais.

Comparar países

Imports of goods and services

Mapa-múndi de Imports of goods and services
Mapa-múndi: Imports of goods and services (2024). Quanto mais escuro, maior o valor. O contorno laranja é Brasil. Fonte world_bank_wdi
PosiçãoPaís / território%
1Hong Kong177.72
2Luxemburgo159.74
3San Marino154.99
4Singapura143.6
5Djibuti114.82
179Camarões18.73
180Chade18.09
181Brasil17.65
182Rússia17.59
183Paquistão17.19
190Turcomenistão11.16
191Venezuela9.22
192Sudão1.27

Ver o ranking completo de 192 países e territórios →

Hong Kong (177,7154%), Luxemburgo (159,735%) e San Marino (154,9906%) lideram; na base estão Sudão (1,2745%), Venezuela (9,2213%) e Argentina (12,68%). O Brasil ocupa a 181ª posição.

Imports of goods and services: topo, base e Brasil1Hong Kong177.722Luxemburgo159.743San Marino154.994Singapura143.65Djibuti114.82179Camarões18.73180Chade18.09181Brasil17.65182Rússia17.59183Paquistão17.19190Turcomenistão11.16191Venezuela9.22192Sudão1.27%
Os 5 primeiros, os vizinhos de Brasil e os 3 últimos (2024). O número à esquerda da barra é a posição. Fonte world_bank_wdi
Evolução de Imports of goods and services32.326.62115.39.62013201520172019202120232024BrasilEUAChinaMundo%
Brasil diante das grandes economias e do mundo. Fonte world_bank_wdi

A série vai de 14,0437% em 2013 a um mínimo de 11,8008% em 2017 e um máximo de 19,1853% em 2022, com 17,6459% em 2024. Entre os grandes, EUA (14,2712%) e China (17,1755%) ficam ainda mais baixos.

Manufacturing value added

Mapa-múndi de Manufacturing value added
Mapa-múndi: Manufacturing value added (2024). Quanto mais escuro, maior o valor. O contorno laranja é Brasil. Fonte world_bank_wdi

Porto Rico (44,1443%), Liechtenstein (34,1726%) e San Marino (31,7668%) encabeçam o ranking; Bermudas (0,3311%) e Ilhas Turcas e Caicos (0,447%) fecham a lista. O Brasil está acima de EUA (10,7104%) e abaixo de Alemanha (18,0067%).

Manufacturing value added: topo, base e Brasil1Porto Rico44.142Liechtenstein34.173San Marino31.774Irlanda29.575Essuatíni29.1279Cazaquistão12.3980Peru12.1181Brasil12.1182El Salvador12.0583Portugal11.76201Micronésia0.51202Ilhas Turcas e Caicos0.45203Bermudas0.33%
Os 5 primeiros, os vizinhos de Brasil e os 3 últimos (2024). O número à esquerda da barra é a posição. Fonte world_bank_wdi
Evolução de Manufacturing value added32.526.420.214.182013201520172019202120232024BrasilEUAChinaMundo%
Brasil diante das grandes economias e do mundo. Fonte world_bank_wdi

A linha vai de 10,4796% em 2013 a 13,2532% em 2023 e recua para 12,1108% em 2024, dentro de uma faixa estreita. Entre os grandes produtores, Coreia do Sul (26,618%) e China (24,8692%) estão bem acima.

Foreign direct investment, net inflows

Mapa-múndi de Foreign direct investment, net inflows
Mapa-múndi: Foreign direct investment, net inflows (2024). Quanto mais escuro, maior o valor. O contorno laranja é Brasil. Fonte world_bank_wdi
PosiçãoPaís / territórioUS$
1EUA297,058,000,000
2Singapura135,077,157,183
3Hong Kong125,820,976,920
4Luxemburgo105,986,643,430
5Brasil74,090,786,050
6Canadá63,052,828,220
7Ilhas Virgens Britânicas53,598,706,970
202Hungria-62,190,710,104
203Liechtenstein-87,212,093,508
204Suíça-108,395,568,634

Ver o ranking completo de 204 países e territórios →

EUA (US$ 297,06 bi), Singapura (US$ 135,08 bi) e Hong Kong (US$ 125,82 bi) lideram; na base há valores negativos, como Suíça (-US$ 108,40 bi) e Liechtenstein (-US$ 87,21 bi). O Brasil aparece em 5º lugar.

Foreign direct investment, net inflows: topo, base e Brasil1EUA297,058,000,0002Singapura135,077,157,1833Hong Kong125,820,976,9204Luxemburgo105,986,643,4305Brasil74,090,786,0506Canadá63,052,828,2207Ilhas Virgens Britânicas53,598,706,970202Hungria-62,190,710,104203Liechtenstein-87,212,093,508204Suíça-108,395,568,634US$
Os 5 primeiros, os vizinhos de Brasil e os 3 últimos (2024). O número à esquerda da barra é a posição. Fonte world_bank_wdi
Evolução de Foreign direct investment, net inflows3,126,957,267,8202,266,596,241,6951,406,235,215,569545,874,189,443-314,486,836,6822013201520172019202120232024BrasilEUAChinaMundoUS$
Brasil diante das grandes economias e do mundo. Fonte world_bank_wdi

A série oscila bastante: US$ 87,71 bi em 2014, US$ 38,27 bi em 2020 e US$ 74,09 bi em 2024. Por ser um fluxo líquido em dólares, a variação de um único ano não indica tendência.

High-technology exports

Mapa-múndi de High-technology exports
Mapa-múndi: High-technology exports (2024). Quanto mais escuro, maior o valor. O contorno laranja é Brasil. Fonte world_bank_wdi

Ilhas Cayman (85,5232%), Samoa (76,6701%) e Hong Kong (75,5707%) estão no topo; na base há países com 0%, como Bahamas e Macau. O Brasil fica na metade superior da lista.

High-technology exports: topo, base e Brasil1Ilhas Cayman85.522Samoa76.673Hong Kong75.574Filipinas60.985Singapura59.4358Itália12.2859Croácia11.6760Brasil11.1161Quirguistão10.6762Eslováquia10.59184Antígua e Barbuda0185Bahamas0186Macau0%
Os 5 primeiros, os vizinhos de Brasil e os 3 últimos (2024). O número à esquerda da barra é a posição. Fonte world_bank_wdi
Evolução de High-technology exports34.327.320.313.36.32013201520172019202120232024BrasilEUAChinaMundo%
Brasil diante das grandes economias e do mundo. Fonte world_bank_wdi

A linha atinge 16,0002% em 2016, cai a 9,0016% em 2021 e volta a 11,1104% em 2024. Entre os parceiros de comparação, Coreia do Sul (36,2583%) e Reino Unido (29,2333%) estão bem à frente.